terça-feira, 22 de abril de 2014

pra uma saudade de tudo, até do que não se viveu



aos poucos ela ocupava os espaços
crescia no vazio que tinha se tornado aquele ser
moldava-o
ditava seus dias
invadindo cada órgão
já controlava cérebro
e coração
as funções vitais eram suas
então chegou a um ponto em que aquele ser já não comportava mais
os poros dilatados gotejavam
então aquilo que tinha tomado seu corpo e alma saiu num grito
rompendo tal represa
SAUDADE!!!
o grito foi ouvido
e ainda que sentido de lá
é certo que nunca saberá a intensidade do que se sente de cá.


anne glauce freire
jornalista cultural